domingo, 7 de março de 2010

Doce Caseiro...





O verão vai aos poucos ficando para trás e para nós que moramos no litoral - Balneário Camboriu, Santa Catarina - vai nascendo um desejo de ficar em casa, com o sentimento de dever cumprido para com todos os que passaram por nossas praias, casas noturnas e bares, de que levam um pouco com eles aquele gostinho de quero mais.
Mas em nós nativos do litoral começa uma época para descanso, com o fim dos congestionamentos, o frio, as chuvas e o melhor de tudo: ficar em casa!
Certo mesmo é que não são todos que concordam com minha teoria, mas mesmo assim gostaria de falar um pouco sobre as delícias de se ficar em casa curtindo seu canto, com ou sem companhia, apenas eu comigo mesmo!
Acho que fiquei mais caseiro com a chegada do meu filhote. Um pequeno Shitzu chamado Calvin, que preencheu todos os cantos da minha casa, me dando dando de presente com ele o sentimento de culpa, ao deixá-lo sozinho e a alegria de ter a cada chegada em casa um festa exclusiva.
Meu espaço possui filmes que gosto de ver acompanhado ou sozinho, músicas que canto e as vezes danço sozinho na sala sem vergonha e com certeza de uma maneira que jamais faria em uma balada com amigos. Gosto de músicas que não fazem sucesso e muitas que já sairam de moda muito tempo. Mas fazem parte do meu Universo Particular!
Ultimamente sinto cada vez mais vontade de chegar em casa depois de um dia de trabalho cansativo e comer algo e sentir meu espaço com toda a sua segurança e conforto. Pensando nisso me incentivei mais a fazer o curso de design de interiores, o qual começei recentemente.
Não digo que uma baladinha não me chame a atenção, apenas estou vivenciando uma nova experiência de prazer nas coisas simples e me encanta saber que a vida é cheia de momentos assim e espero, sem preconceitos vivencia-los um a um. Beijos.

domingo, 15 de novembro de 2009

Curtas histórias...






Mathias conheceu Robson de maneira inesperada, através de um contato no orkut de um amigo em comum e acabaram se apaixonando. Se amaram de todas as maneiras que a vida lhes permitia e juraram promessas de paixão eterna. Construiram planos e passaram a integrar um ao outro em suas vidas. Um dos casos antigos de Robson arquitetou um plano para separá-los com mentiras a respeito de Mathias, o que derrubou as finas estruturas levantadas por ambos. Após seis meses de um tórrido romance, terminaram e hoje são amigos.


Julian lecionava e Daniel trabalhava com Recursos Humanos em uma grande empresa. Ambos iniciaram um namoro com muito sexo, pois se completavam na cama como com nenhum outro casal. Daniel e Julian ficavam fins de semana inteiros trancados em um apartamento apenas curtindo um ao outro. Julian morava a cem kil0metros de Daniel e essa distância os afastava fisicamente e a saudade não aumentava. Decidiram estarem livres para relacionamentos mais próximos e serem amigos.


Estevão adora se relacionar com as pessoas. Todos o amam e querem estar perto dele. É bonito, simpático e possui um sex appeal fenomenal. Gosta de balada e ama se aventurar pelo mundo. Curte drogas leves e raves exporádicamente. Não se prende a ninguém. Rafael é apaixonado por ele, e acredita que um dia eles vão ficar juntos...


Marcos sempre foi apaixonado por música. Suas seleções musicais baixadas na internet eram as preferidas dos carros de seus amigos. Nunca foi muito de balada, mas sempre gostou das coisas boas da vida. Trabalhou duro sempre. Enquanto ainda namorava, em uma pequena escapulida conheceu a Carlos através de um site da internet. Se encontraram e ambos se separaram de seus respectivos casos e ainda estão juntos. Construiram uma bela casa e possuem tres cães que fazem de suas vidas uma completa alegria.


Ricardo era casado com Beatriz. Desde pequeno ele teve atração por meninos, mas não sabia se aquilo era apenas uma fase e guardou todo desejo para sempre dentro de si. Conformado casou-se e construiu uma familia. Após dois anos de casamento, encontrou-se com Guilherme, uma paixão antiga a qual o fez perder a cabeça e trair sua esposa. Após um ano de caso extraconjugal largou tudo e separou-se para ficar com Guilherme, mas após isso, Guilherme casou-se com Tatiana e nunca mais conversou com Ricardo. Hoje Ricardo mora em outro estado e vive livremente sua vida sexual e Guilherme esta separado.


Matheus não conseguia entender bem essa situação de ser gay e ser hétero. Gostava de meninos e a sociedade o obrigava a ficar com meninas. Seu padrasto não o ajudava e a escola não o aceitava. A religião o condenava e os amigos o zombavam. Matheus enforcou-se com apenas 14 anos.


"Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração, e quem irá dizer que não existe razão?" Renato Russo

domingo, 11 de outubro de 2009

-O Ônibus, o Tipo e os Cães no Cio-





O homem é o único animal com capacidade de raciocínio!


Certeza disso pude ter essa semana ao ficar de babá do cãozinho de um amigo meu, que possui um casal de Shitzus, e a fêmea estava no cio, e como o seu dono não quer que ela pegue cria e também não quer aplicar nela a famosa injeção para cortar o cio, dadas as complicações para a saúde da pequenina, preferiu deixar o machinho na casa de alguém que pudesse cuidar e ao mesmo tempo tivesse espaço.


Acabei ficando com essa incumbência, nada difícil. Para mim, além da companhia, o mais interessante foi ver a atitude do macho querendo a todo custo fecundar a fêmea. Ele ficava completamente transtornado próximo dela, tentando a todo custo cruzar de modo que não se importava em comer, apenas ficava correndo atrás da fêmea, sendo necessária a separação para que não tivesse outros problemas.


Não sei se estava maluco ou não, acabei fazendo um comparativo com a situação do cãozinho. Estava eu no ônibus indo em direção ao trabalho e comecei a analisar os homens que entravam e desciam. Silenciosamente media a todos, e me questionava internamente: Será que eu dormiria com esse? Também afirmava silenciosamente: Com esse eu dormiria! Com esse eu não teria coragem! Com esse... Com esse...


Percebi que todos temos um tipo definido de homem que nos atrai. Alguns gostam de altos e magros, outros de baixos e gordos, e tantas opções que me faltariam adjetivos. Porém eu possuo meu tipo de homem ideal, mas isso não quer dizer que não iria abrir minhas exceções, principalmente quando eu percebo que as vezes estou mais afim de sexo do que de um relacionamento. Vejo brotar um desejo que mais tem a ver com amor carnal do que qualquer outra coisa.


Quando percebo que estou medindo todos os homens na rua, no ônibus, na fila do mercado, me assusto, pois estou como o shitzu macho de meu amigo que precisa realizar seu instinto de alguma maneira. Será que não estamos anulando nossos instintos em nome de certos procedimentos aceitos pela sociedade moderna? Digo isso pois em algumas sociedades é aceito o homem ter várias esposas, mas aqui por exemplo, não seria respeitoso. O instinto de caçador nos faz trair pelo simples fato de coabitarmos? Seria uma desculpa para os que traem? Mas também o que diríamos a todos os que com domínio próprio mantem-se fiéis em relações que constroem dia a dia? Realmente somos seres misteriosos...

domingo, 27 de setembro de 2009

Minha Indignação!




Sempre venho à Revista Lado A expondo um pouco do meu dia a dia nos relacionamentos e questionamentos internos e procuro sempre levar à verdade da maneira mais limpa possível.


Mas esse fim de semana passei, juntamente com outros cinco amigos por uma situação que não poderia deixar em branco. Estavamos em uma lanchonete vinte e quatro horas muito conhecida e muito frequentada por gays daqui de Balneário Camboriu, conversando e brincando à respeito da balada que acabávamos de visitar. Em alguns momentos dois de nossos amigos que namoravam trocavam carícias e leves beijos no rosto e selinhos. Estavamos sentados em uma mesa localizada na calçada, ao lado das portas do empreeendimento, com um homem manobrista de carros nos vigiando. Certa feita um homem, que depois se apresentou como dono da lanchonete, se colocou atrás de nós como que nos observando.


Num dado momento um dos meninos atirou um guardanapo usado e amassado no outro por brincadeira e foi retribuido com o mesmo guardanapo. Nessa feita o homem veio até a mesa e de uma maneira grosseira mandou um dos garçons retirar os pratos e dizia que ali não era a casa de ninguém dos que estavam ali e que iriamos parar de fazer "putaria" (exatamente essa palavra)ali em seu estabelecimento, retirando os copos quase que quebrando-os uns nos outros!


Pedimos a conta de imediato, mas percebemos que aquilo era um tipico caso de homofobia e retrucamos e o senhor apenas zombava de nós como se não se importasse com o que diziamos.

Saímos do estabelecimento completamente arrasados e indignados, pois sabemos que a comunidade gay de Balneário e região são um dos maiores clientes que aquele comerciante atende mas, não respeita-nos como seres humanos e muito menos teme que seu ato seja de alguma maneira repreendido.

A minha indignação maior é que em momento algum ele nos chamou de qualquer que seja nome depreciativo a nós gays, o que iria auxiliar em algum processo, apenas nos observou e esperou que fizéssemos qualquer coisa que ele julgasse errada (jogar bolinha de papel um no outro) para nos escorraçar do local.

Fizemos de tudo para não cairmos no ridículo de brigar ou fazer qualquer tipo de barraco, pois acreditamos na justiça e sabemos da mobilização do orgulho gay, a qual lutamos de verdade e sabemos que um negócio assim não deve prosperar a não ser que mudem seus conceitos conosco!


Desculpe aos nossos leitores, mas precisava desabafar de maneira a proteger nosso maior direito: o de sermos quem somos e não temermos ninguém ao demonstrar o que sentimos uns pelos outros.


O caso será levado adiante e em breve teremos novidades!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O Preço do Prazer!





Essa semana estive pensando sobre algo que para muitos é visto como um tabu e para outros como uma oportunidade: o sexo pago!

Percebi que algumas vezes estamos mesmo é afim de um sexo sem compromisso, logo sem cobranças e todos os deveres que esperamos e buscamos em um relacionamento sério, apenas sentir prazer , e nada mais!



Mas gostaria de falar sobre pagar para sentir esse prazer. Não estou dizendo apenas de garotos de programa ou michês, estou falando também daqueles casos em que troca-se algo pelo prazer. Concordo (já generalizando) que todas as pessoas possuem seus interesses e alguns satisfazem seus desejos com aquilo que a vida lhes proporcionou.


Sendo mais específico ainda. Alguns possuem um corpo maravilhoso, uma juventude ou ainda algo que chame a atenção de outras pessoas que querem usufruir de toda essa, digamos "saúde", e possuam apenas atributos financeiros que possam satisfazer necessidades de outrem. Seria hipocrisia dizer que ambos não estão selando um acordo comercial, onde não apenas o dinheiro na cabeceira da cama ou um jantar e um presente caro são distribuidos, mas tambem satisfação de ambos.


Levando por esse lado não podemos julgar quem paga ou quem se "aluga", mas sim acreditar que as pessoas nesse relacionamento estão de acordo com seus papéis de provedor e beneficiário, e saber que o que vale a pena na vida é sermos felizes!!!






quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Pontes





Até onde ir para salvar um relacionamento?

Com os relacionamentos que tive aprendi que em cada um deles levantamos "pontes" para nos unirmos a uma outra pessoa, e algumas dessas pontes são frágeis e podem ruir a qualquer momento, enquanto outras são tão sólidas que suportam qualquer tempestade que possa vir contra elas.

Talvez com essa metáfora consigo analisar melhor os momentos vividos ao lado de uma pessoa, seja ela de um circulo de amigos, namorado, ou família. Com todas as pessoas construimos meios de contato para que o relacionamento flua.

Mas o que quero levantar é a questão oposta: será que vale a pena reconstruir essa ponte quando por algum evento ela tenha ruido?

Aprendi durante toda a minha vida a agradecer pelas coisas e pessoas que recebi, mas não aprendi a perder as coisas e as pessoas. Sofremos muito quando um ente querido vem a falecer, pois não temos certeza absoluta para onde ele partiu, apenas temos varias idéias que aprendemos a aceitar sobre sua partida. E é ai que vem a questão maior: a dúvida.

Não sabemos ao certo se será melhor ou pior sem aquele relacionamento. As vezes damos de ombros a pessoas que poderiam ter sido únicas em nossa vida, as vezes temos medo de partir para outra, pois não sabemos se sentiremos falta do que estamos deixando para trás. Sempre a dúvida. As pontes são levantadas e sempre acreditamos que elas são eternas, que mesmo num futuro muito distante, ainda estaria firme de pé. Mas a vida sempre é expert em nos contrariar, nos mostrando que aquela amizade que achávamos que duraria para sempre, acaba de um dia para o outro.

Agora voltando a pergunta inicial: Será que vale a pena reconstruir o que a vida de alguma maneira derrubou? Novamente a dúvida e por que não dizer que o futuro é como o desenhamos no presente e que aquele relacionamento acabou porque era a hora dele, e que se acabou, era pra ser uma etapa vencida. Se trouxe louros ou se trouxe perdas, isso não cabe a ninguém supor, cabe apenas a mim descobrir o que posso aprender com essa situação. Se reconstruir ou não essa ponte, ai é uma nova história...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ele é Bonito Demais... E agora?




E quando o menino é bonito demais?




Nunca imaginei que isso fosse problema, afinal de contas quem é que não quer ter um gato de primeira linha ao seu lado, com um corpo de dar inveja até a mais pura das amigas da boate? E ainda depois da boate vir o melhor? Levar essa beldade para cama e saber que ele é tudo que seus mais intimos desejos buscam e um pouco mais?


Pois é, isso pode ocasionar alguns probleminhas de percurso sim, afinal de contas nada nesse mundo é perfeito e muito menos para nós pobres mortais normais.


Já estou me acostumando a sair com caras lindos e perceber os comentários maldosos ao meu redor do tipo: "o que essa beesha feia e gorda esta fazendo com esse gato?" Não foi uma e nem duas vezes em que passo por isso.


O pior é a insegurança que ataca ao perceber que o gato ainda está na dúvida e prefere as vezes ficar amigo nosso para poder biscatear bastante durante o restante da noite, já que recebe muitos dos olhares dos presentes na boite.


É bom saber que existe uma diversidade e que existe todos os tipos de gostos e belezas. Tem os que gostam dos coroas, e os que gostam dos ninfetos. Os que gostam dos gordinhos e os que gostam dos sarados. Sempre há uma meia furada para um sapato velho e que não faz parte do meu legado ficar sozinho, mesmo que eu tenha passado por isso não uma e nem duas vezes, mas diversas. Acho que estou aprendendo a ser trocado e aceitar que se não me quis é porque não era para mim e tentar não ligar mais para isso. Isso espero.

domingo, 2 de agosto de 2009

Amigos e Família.





Todos conheçem aquele velho ditado pra lá de batido mas de uma verdade plenamente imbatível: Amigos são a família que temos a opção de escolher.

A grande realidade é que somos seres profundos e possuímos caráter e personalidades bastante complexas e diferentes entre si, com isso transparecemos defeitos e ocultamos qualidades com muita facilidade. Não é fácil convivermos uns com os outros. Com família é assim, vivemos próximos todos os dias e nos defrontamos com personalidades e caráter diferentes dos nossos e procuramos nos adequar de alguma maneira já que não temos escolha. Mas quando com amigos é diferente, temos a opção de escolha de acordo com nossos próprios parâmetros.

Com os gays não é diferente, também temos esses choques culturais e ambíguos no tocante a nossas amizades. Temos uma sensibilidade nata e procuramos sempre pessoas parecidas conosco para nos bem relacionar. Quando digo sempre, estou relatando as características mais latentes de nossa personalidade se comparada a das pessoas com quem nos envolvemos. Dificilmente teremos relacionamento profundo com pessoas avessas a essas características. Isso não é preconceito e sim seleção natural. Diga-me com quem andas e te direi quem és! Provérbio mais que verdadeiro ainda. Se encontramos alguém parecido conosco em alguns aspectos, pode ser que ali uma amizade nasça.
Infelizmente há ao nosso redor pessoas com pontos negativos que precisam ser explorados e analisados para que não nos machuquemos com amigos e companheiros desleais ou que de alguma forma possam nos prejudicar. Como num relacionamento conjugal há necessidade de tempo para se conhecer bem a pessoa, para saber os defeitos e as qualidades e a possibilidade de construção de um relacionamento de cumplicidade a ser contemplado


Podemos assistir os Big Brothers e As Fazendas da vida e percebermos como as pessoas se chocam constantemente umas com as outras com suas opiniões e com suas verdades para então poderem viver numa pequena sociedade aceitável a eles.

Ai percebemos que cada um de nós possui uma história de vida, alguns sairam de casa cedo, outros perderam os pais, ainda outros moram com os pais e outros ainda com tios, ou ainda parentes próximos. O conceito de família tem se transformado consideravelmente nos últimos tempos e temos visto nascer novas formações bem além do tradicional pai e mãe que estavamos acostumados nas últimas gerações famíliares. Em alguns casos, como particularmente o meu por exemplo, mora-se sozinho e elege-se os amigos mais próximos como a família atual, já que a família original mora longe. Um dos modelos mais vividos por nós gays nos grandes centros.

É uma grande aventura ter amigos! Desde o momento em que me assumi como gay tenho gozado de amizades verdadeiras com pessoas verdadeiras que conheci no dia a dia ou no trabalho e até nas baladas. Acredito que atraio isso para minha vida já que procuro ser verdadeiro e leal para com eles como bom escorpiano que sou. Mas não sou bobo de acreditar que tenho amigos aos montes ou que sou amado por todos que admiro, mas que os poucos que tenho são leais a mim e não importa se eu tenho dinheiro ou não, se sou bonito ou não, ou então se tenho o que falar, estão ao meu lado e posso contar com eles em todas as horas.

Esses amigos sim são a família que escolhemos, ou melhor, aqueles que a vida nos presenteou.